30.8.09

Fotojornalista



Em 1939, aos 11 anos de idade, o menino Flávio Silveira Damm ficou impressionado com as imagens da guerra nos jornais e quis saber do pai se eram os próprios soldados que faziam as fotos. Hoje, perto de completar 78, o fotógrafo gaúcho é um dos mais importantes profissionais da história do fotojornalismo brasileiro. Em todo esse tempo, confessa que nunca entendeu nada de futebol, mas foi num Grenal (Grêmio x Internacional) que estreou na reportagem e na primeira página de um jornal: — Cheguei cedo e estava focalizando uma arquibancada totalmente lotada quando ela sumiu do meu visor. Instintivamente, apertei o obturador e fiz as únicas fotos do desabamento de uma arquibancada inteira. Depois, saí registrando as vítimas. Vendi as fotos para a Folha da Tarde e para a extinta Revista do Globo, de Porto Alegre. Ganhei 600 cruzeiros e virei repórter mesmo, com nome no jornal. Em busca de uma boa foto, Flávio Damm fez muitas viagens (930 pelo Brasil e 65 ao exterior) e viveu muitas aventuras. Chegou a ir atrás do diabo para uma matéria para a revista O Cruzeiro — marco do fotojornalismo brasileiro — no interior de São Paulo, onde diziam que a população estava sendo aterrorizada por ele. É claro que não encontrou o sinistro personagem, mas registrou o povo amedrontado e ouviu suas histórias. Os registros, aliás, foram feitos como gosta: em preto e branco e focados no que chama de “cotidiano surreal”: — Para passar emoção a cor é desnecessária, mesmo quando há sangue. A fotografia em preto e branco exige composição, bagagem cultural e experiência, pois não convive com as facilidades que a cor oferece. Depois de 15 anos em O Cruzeiro, ao lado de José Medeiros e Jean Manzon, Flávio decidiu virar freelancer e, em 62, criou a Agência Jornalística Imagem, a primeira do gênero no Brasil. Em seis décadas de profissão, conseguiu reunir um acervo que já rendeu a publicação de 12 livros, entre os quais “Brasil futebol rei” (1965), “Ilustrações do Rio” (1970) e “Um Cândido pintor Portinari” (1971) — e apenas dois não esgotados: — Também escrevo para o site www.photos.com.br e a revista Photo Magazine, estou produzindo um livro sobre 24 reportagens que fiz para as revistas O Cruzeiro e do Globo e deixei nas mãos de editores três livros novos: uma retrospectiva, “Mulher dama” — sobre prostitutas da Bahia — e “Vejo Lisboa”. Flávio diz que não sai de casa sem uma câmera: — Tenho um arquivo com 60 mil negativos. Fotografo o que a minha leitura pede e não falo com meus fotografados antes, durante ou depois das fotos. Eles não me conhecem e eu não desejo conhecê-los. Somos anônimos e sem cara. Não uso flash e sou discreto. Faço minha aproximação como um gato e fujo da cena como um rato.
Fonte: ABI

24.8.09

Tenho tanto sentimento


Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa

Um pouco de fotografia




Do mestre Sebastião Salgado. Realidade!

16.8.09

Energia

Uma das situações que mais me estimulam é ver uma pessoa executando uma tarefa com profundo prazer. Logo no primeiro dia de aula deparei-me com uma professora hiper animada, simpática, direta, objetiva e com um senso de humor delicioso. Se a primeira impressão é a que fica, virei fã de carteirinha da Cristina, profª de Língua Portuguesa. Realmente os profissionais, alunos e professores de comunicação são mais bonitos e animados. Pessoas que gostam de pessoas são iluminadas. Quem sabe lidar com gente, respeita as diferenças entre os semelhantes possui um dom divino e é dotado de uma energia mágica e transformadora. A maioria das pessoas coisificam as pessoas, tanto que encontrar alguém diferente causa estranhamento.

2.8.09

Arthur Shopenhauer - Fábula do porco-espinho


"Num frio dia de Inverno, alguns porcos-espinhos juntaram-se para se aquecerem com o calor dos seus corpos, para não enregelarem. Mas depressa viram que se estavam a picar e afastaram-se. Quando de novo ficaram com frio e se juntaram, repetiu-se a necessidade de se manterem separados até descobrirem a distância adequada a que se podem tolerar. Assim é na sociedade, onde o vazio e a monotonia fazem com que os homens se aproximem, mas os seus múltiplos defeitos, desagradáveis e repelentes, fazem com que se afastem."
Moral da fábula: "Quem tem muito calor interno prefere manter-se afastado da sociedade para não dar nem receber problemas e aborrecimentos."
Por outras palavras, toleramos a proximidade dos outros só quando é necessário à sobrevivência, evitando-a sempre que possível.
A. Shopenhauer

Neste momento: Paris

Nasci no Brasil, meu sobrenome é italiano, tenho passaporte português, moro na Inglaterra e estou pela primeira vez na França. Hoje...