21.11.09

Skap


Quando você diz o que ninguém diz
quando você quer o que ninguém quis
quando você ousa lousa pra que eu possa ser giz
quando você arde alardeia minha teia, cheia de ardiz
quando você faz a minha carne triste quase feliz

Você me faz parecer menos só... menos sozinho
você me faz parecer menos pó... menos pózinho

Zeca Baleiro

Reflexo


Pois toda essa beleza que tiveste vem de meu coração, que é teu espelho. Meu bem, é bem melhor que tudo posto"

Shakespeare

20.11.09

Memória

Alma é o nome do lugar onde se encontram esses pedaços perdidos de nós mesmos. São partes do nosso corpo como as pernas, os braços, o coração. Circulam em nosso sangue, estão misturadas com os nossos músculos. Quando elas aparecem o corpo se comove, ri, chora...
Para que servem elas? Para nada. Não são ferramentas. Não podem ser usadas. São inúteis. Elas aparecem por causa da saudade. A alma é movida à saudade. A alma não tem o menor interesse no futuro. A saudade é uma coisa que fica andando pelo tempo passado à procura dos pedaços de nós mesmos que se perderam.

Rubem Alves

15.11.09

Poesia



Se matar-me em ti
um pouco de ti também morrerás
e esse pouco de ti
carregarei comigo
e, estarás viva
quando cada lágrima caída
fizer reviver
o que sequer pudemos
ter sido um dia
não será solução
chamar-te de amiga
se matar-me em ti
morremos juntos
tudo o que não fomos


E.S

11.11.09

O velho e bom rádio, mais uma vez brilhou na escuridão


Dentre os milhares de textos sobre o temido apagão, este foi escrito de uma ótica especial, apaixonada. Essas linhas foram escritas pelo jornalista e radialista José Nello Marques, atualmente comunicador da Rádio Record.
Uma grande parte do Brasil ficou novamente no escuro na noite de terça e madrugada desta quarta feira. Quando caiu a energia elétrica, a primeira idéia era de um transformador queimado na rua. Uma olhada geral e a coisa passou a ser no bairro, quem sabe uma sub-estação. Mas passando os minutos na escuridão, veio a certeza: era um apagão geral, ou, para ser elegante, um “blackout”.
Os vizinhos saíram na porta das casas se indagando o que teria acontecido. Nos apartamentos, televisão analógica ou digital desligada, internet banda larga ou curta pifada e celulares 3G, 4D ou 5S sem linha no mundo moderno e tecnológico. O que teria acontecido?, perguntavam todos.
Como é que a gente vai saber? Foi aí que alguém se lembrou dele:
Simples: pega aquele aparelhinho que foi inventado há quase 100 anos, que não precisa de tomada, apenas de uma ou duas pilhas e pronto, vamos novamente nos conectar ao planeta.
Simples: o velho e bom radinho de pilhas amainou a ansiedade de milhares de pessoas que estavam no escuro de luz e informação. E o velho e bom rádio novamente cumpriu o seu papel. Quem não achou, correu para o carro na garagem e ligou o dito cujo.
Informações sobre bairros e cidades às escuras, autoridades pedindo cuidado no transito sem semáforos e nos locais mais isolados por causa da bandidagem, repórteres buscando informações sobre as causas do apagão e quando a energia seria restabelecida, CET dizendo que tinha mandado de volta às ruas seu contingente e tantas outras notícias e palavras que revelavam informações e a certeza de que alguém estava do outro lado.
O velho e bom rádio cumpriu novamente o seu papel de informar, prestar serviço e acalmar a população. Mais uma demonstração que prova a eficiência do veículo de comunicação mais barato e ágil em todo o globo terrestre de cabos, laser, fibras óticas e todas as engenhocas criadas recentemente.
Perdoando o despreparo de jovens que nunca tinha participado de uma cobertura de fôlego como essa, tirando as perguntas que mais pareciam teses, tirando as linhas telefônicas que caíam e alguns erros gramaticais, o rádio foi perfeito.
As cores digitais são muito bonitas, espetaculares. Mas não se esqueça do seu companheiro de todas as horas, de todos os lugares. O velho e bom rádio, que você enxerga até no escuro.

José Nello Marques

Apagão

Onde você estava na hora do apagão? Ainda bem que eu estava em casa, imagina se estivesse na faculdade, na hora da saída, sem metro, só Deus sabe o que eu teria feito. Sem televisão, apelamos para o bom e velho rádio. Metade das emissoras FM estava fora do ar, mas a CBN me manteve informada durantes aquelas horas de escuridão total. Engraçado que o rádio produz imagens em nossa mente.
No começo, a locutora (que agora não me lembro o nome), desavisada, deu a notícia como uma coisa casual. "O ouvinte Fulano diz que a região de Perdizes está sem energia elétrica neste momento". De repente outro ouvinte, mais um e mais um... Minutos depois era possível ouvir a produtora falando ao telefone de fundo. Os repórteres entraram ao vivo, cada um da janela de seu apartamento dizendo como viam a situação. Além de dizerem que entraram em contato com parentes do Rio, outro de Minas, Espírito Santo... O apagão tinha chegado ao Paraguai.
Eu em casa, no escuro, ouvindo todas aquelas informações senti-me como em uma das histórias de Saramago. Metro parado, os hospitais funcionando por geradores, sabe-se lá até quando, as linhas do metro e da CPTM paradas, estações fechadas, arrastão nas ruas do centro, etc. O caos estava instalado, parecia que aquela madrugada não teria fim e realmente ela foi bem longa para muitas pessoas que estavam longe de casa naquela hora.

6.11.09

Livre


“O homem está condenado a ser livre”. Para Sartre, nossas escolhas são direcionadas por aquilo que nos parece ser o bem. Segundo Artur Polônio, “se a vida não tem, à partida, um sentido determinado […], não podemos evitar criar o sentido de nossa própria vida. A vida nos obriga a escolher entre vários possíveis [mas] nada nos obriga a escolher uma coisa ou outra”. De nada adianta recorrer a explicações religiosas ou espirituais. Destino? Está escrito? Quem disse? Dentro dessa perspectiva, recorrer a uma suposta ordem divina representa apenas uma incapacidade de arcar com as próprias responsabilidades. Cada um é responsável pelo rumo que a vida segue. Livre arbítrio, façamos uso dele. Liberdade!

Escolhas


As pessoas, coisas e situações que formam sua vida, são todas resultados de suas escolhas...
Tudo o que você tem, tudo o que você faz, tudo aquilo em que você mesmo se transforma,
é o resultado de suas escolhas.
Você tem o poder de decidir a direção de sua vida.
Como você vai usar esse poder?
Qual a sua escolha nesse exato instante?
Robert Marshal

4.11.09

Separação



Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca.
Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, desair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias - um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas. De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde…

Vinícius de Moraes

2.11.09

Preconceito Linguístico, o início

Vasculhando coisas antigas, encontrei nosso “primeiro filho”. O primeiro vídeo produzido para o curso de jornalismo.
Vale ressaltar que o áudio está ruim, pois as condições técnicas na data não favoreciam muito. Outro detalhe importante é que 90% das fotos foram feitas por nós. Uns 20% por mim e o restante pelo meu amigo Silvio Crisóstomo. A locução também é nossa. A proposta do trabalho é uma retextualização do livro de Marcos Bagno intitulado: Preconceito Linguístico o que é, como se faz. Trabalho realizado no primeiro semestre de 2009 para a disciplina de Língua Portuguesa. DOIS: Amigos jornalistas, fotógrafos e quase cineastas.

Op Art

Op Art é uma abreviação em inglês de “Optical Art”, ou Arte Óptica. Movimento que surgiu na década de 30 e seu precursor foi o húngaro Victor Vasarely. A Op Art defende uma arte com menos expressão e mais visualização. É contrária a harmonia estática da arte tradicional, simbolizando um mundo em profunda transformação e altamente instável. O movimento foi dividido em duas fases. Em princípio o “Black e White” e mais tarde as cores fortes e contrastantes coloriram as obras. Sugerindo um efeito perfeito de movimento. Essa arte cria uma nova relação com o espectador, que deixa de ser elemento passivo e passa a imaginar e interpretar uma obra de arte sem limites espaciais. Explorando a falibilidade do olho através de ilusões ópticas, as obras da Op Art transmitem movimento e dinamismo. A criação de efeitos visuais através de tons vibrantes, repetitivos e alto-contrastantes, círculos concêntricos e formas que parecem pulsar, são as características predominantes neste estilo artístico. Porém, logo a Pop Arte ofuscou o brilho da Op art, mas esta última também permanece presente em nosso cotidiano.

De "Nós 4" para o Profº Odair Soares, de História da arte.

Neste momento: Paris

Nasci no Brasil, meu sobrenome é italiano, tenho passaporte português, moro na Inglaterra e estou pela primeira vez na França. Hoje...