22.7.14

Ponto de vista

Cada pessoa tem sua história, suas referências, experiências e aprendizados. Mas, criar/formar uma pessoa não é tarefa fácil, pra ninguém. Ainda mais quando temos que dividir, embora bem desproporcionalmente, essa empreitada com outras pessoas.
Cada um com seu ponto de vista, uns completamente despreparados e sem noção.  
Citemos exemplos: uma criança, na faixa dos 4/5 anos é internada e passa três dias em um leito de hospital. Cabe aos adultos que a acompanham fazer parecer uma situação positiva e agradável para que a criança sofra o menos possível. Certo? Errado!
De um lado, uma mãe chora e fala em tom de sofrimento com o filho, que aparentemente gosta de fazer manha, pois ela deve falar assim, com a voz chorosa, o tempo todo. Resultado: o que nem era tão terrível (afinal, não era nada grave) torna-se quase insuportável para os dois.
De outro lado: a mãe brinca, elogia a ‘cama’, as enfermeiras, a comida e diz que estamos ali para sermos bem cuidadas e temos que nos comportar para ficarmos boas e irmos logo pra casa.
No segundo exemplo, tudo corre bem até que em uma noite, as visitas do turno resolvem apavorar a criança e dizem que ‘um vampiro vai pular pela janela de madrugada e chupar o sangue dela, se ela se mexer muito’. Todos estimulam e enfeitam e estória. Por fim, deixam a frase: “que ruim ficar no hospital, né”?! Assim, as visitam se retiram satisfeitas, sorrindo.
A sorte, no sentido figurado da palavra, é que a criança foi madura e centrada o suficiente para compreender tudo o que a mãe teve que explicar depois.  
Enquanto no primeiro exemplo as noites eram longas e sofridas, no seguinte, as quatro noites foram de uma tranquilidade impressionante para a situação.  
Sinceramente, eu não compreendo essa falta de sensibilidade. Algumas pessoas são completamente desprovidas de bom senso, e é muito difícil haver mudanças nesse aspecto da personalidade. Esse é um comportamento aprendido, é culpa das mães.
Se os pais e mães tivessem noção do tamanho do estrago que suas atitudes, e a falta delas, podem causar na estrutura emocional de seus filhos, haveria bem menos gente desequilibrada por aí.
Vivendo e aprendendo!

21.7.14

Fim de tarde







Essa é a minha cidade. Cidade em que nasci e cresci. Dizem muitas coisas a seu respeito, mas eu, particularmente, gosto muito desse caos.
O trânsito é infernal, sim. Quase todos os lugares são sempre lotados, sim. Mas, aqui, em São Paulo, encontra-se de tudo. Tudo, mesmo. Todo tipo de pessoa, comida, artigos para comprar, roupas, coisinhas, teatro, cinema, museus, clubes, shoppings, etc.
No meio do burburinho, também é possível apreciar um belo pôr-do-sol. Com uma máquina decente foi possível registrar a paisagem de forma ainda mais bela.
Em Sampa, vivo minha história, divido experiências e conquisto meus objetivos. Conheci muita gente bacana e o amor da minha vida.
Ela pode ser bem amarga, triste e difícil de enfrentar. Mas, essa cidade me proporciona tantos momentos fascinantes, que fica impossível não gostar dela. 

15.7.14

Depois

Ei de ser feliz também, depois...


Leite Derramado II


“Certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida”. Assim termina o ‘Leite Derramado’.
Com doçura, sensibilidade e um pouco de caduquice, Lalinho, em seu leito de hospital narra suas histórias mirabolantes e por vezes confusas e repetitivas.  
O poeta Chico Buarque foi muito feliz na descrição das memórias de Eulálio. Como a maior parte dos velhos, as principais lembranças são as mais antigas e para o protagonista a lembrança dos dias vividos ao lado de seu grande amor, são as que norteiam todo o resto. Pra nós leitores fica uma admiração pelo sentimento que ele nutria por ela, que misteriosamente deixou de fazer parte da sua vida, pelo menos é o que ele lembra.
“Se não fossem meus tremores e câimbras nas mãos, eu preencheria de meu próprio punho, com caligrafia miúda, um caderno para cada dia vivido ao lado da minha mulher. Já depois que ela se foi, meus dias seriam de imenso papel para pouca tinta, extensos e vazios de acontecimento”.
Sem Matilde a vida não era mais vida.   
Leitura deliciosa, capaz de nos fazer mergulhar na mente de um velho cheio de histórias pra contar. Além de nos conduzir a viajar pelas nossas próprias lembranças, inclusive as que ainda nem existem e algumas que provavelmente nem existirão. Mas que acontecerão em nós até o fim da vida.
Viva Chico!

Neste momento: Paris

Nasci no Brasil, meu sobrenome é italiano, tenho passaporte português, moro na Inglaterra e estou pela primeira vez na França. Hoje...