26.6.11

Parada



Este ano a Parada do Orgulho Gay está debutando. E finalmente, tem mais uma conquista a ser comemorada. A legalização da união estável entre homossexuais é um avanço que eu não imaginei que presenciaria nesse país atrasado, de maioria ignorante e preconceituosa.
Todos os brasileiros deveriam ter participado dessa festa hoje, pois é um sinal de que nem tudo está perdido na “terra do jeitinho”. Apesar de faltar ainda muitíssimos avanços, já até consigo ver uma luz no fim do túnel.
O verbo respeitar é muito fácil de ser conjugado, mas a dificuldade que parte das pessoas encontram em executa-lo é impressionante. É tão mais fácil cada um cuidar de sua própria vida; ajudar, colaborar e/ou contribuir no que for possível para que todos vivamos melhor. Mas o esporte preferido dessa gente é tentar fazer com que todas as pessoas pensem e ajam de acordo com os SEUS pensamentos e costumes. Julgar o outro conforme a minha vida, minhas preferências e experiências, não faz o menor sentido. Cada um sabe o que é melhor para si, ou pelo menos deveria saber.
O que o povo verde e amarelo não percebe é que para os heterossexuais nada mudou. Ninguém vai ser obrigado a casar com o vizinho, nem sair do armário se não quiser.
O Brasil só vai começar a mudar de verdade quando forem plantadas nessas terras: educação, alteridade e respeito. Uma coisa leva à outra automaticamente. E devemos começar pelas crianças, que serão responsáveis pelas próximas gerações e pelo futuro da sociedade. Quem sabe esse país deixaria de ser medíocre, cheio de gente egoísta, que explora a miséria do outro. Assim, conseqüentemente, eliminaríamos os corruptos, os bandidos de colarinho branco, a violência, etc. Não teríamos mais crianças semi-analfabetas sem oportunidades, e deixaríamos de ser um povo sem dignidade.
Utopia?! Talvez. Mas devagar, se vai ao longe... 

19.6.11

A perdida esperança


De posse deste amor que é, no entanto, impossível
Este amor esperado e antigo como as pedras
Eu encouraçarei o meu corpo impassível
E à minha volta erguerei um alto muro de pedras.

E enquanto perdurar tua ausência, que é eterna
Por isso que és mulher, mesmo sendo só minha
Eu viverei trancado em mim como no inferno
Queimando minha carne até sua própria cinza.

Mas permanecerei imutável e austero
Certo de que, de amor, sei o que ninguém soube
Como uma estátua prisioneira de um castelo
A mirar sempre além do tempo que lhe coube.

E isento ficarei das antigas amadas
Que, pela Lua cheia, em rápidas sortidas
Ainda vêm me atirar flechas envenenadas
Para depois beber-me o sangue das feridas.

E assim serei intacto, e assim serei tranqüilo
E assim não sofrerei da angústia de revê-las
Quando, tristes e fiéis como lobas no cio
Se puserem a rondar meu castelo de estrelas.

E muito crescerei em alta melancolia
Todo o canto meu, como o de Orfeu pregresso
Será tão claro, de uma tão simples poesia
Que há de pacificar as feras do deserto.

Farto de saber ler, saberei ver nos astros
A brilharem no azul da abóbada no Oriente
E beijarei a terra, a caminhar de rastros
Quando a Lua no céu contar teu rosto ausente.

Eu te protegerei contra o Íncubo
Que te espreita por trás da Aurora acorrentada
E contra a legião dos monstros do Poente
Que te querem matar, ó impossível amada!

Vinícius de Moraes

17.6.11

Em nossa rádio

Quando sentimos muito carinho por alguém, mesmo conhecendo há pouco, literalmente, tomamos as dores do outro. Por que será que o criador do nosso mundo permite que certas coisas aconteçam?  Já que era para passarmos por tanto sofrimento, que ao menos nos fizesse mais resistentes. Essa brincadeira chega a ser sádica.
Uma - talvez a única - certeza que temos é que tudo isso é passageiro. Para nossa insatisfação, sabemos que os momentos bons findam depressa, e para nosso relativo conforto, temos ciência que o sofrimento também esmorece, mesmo nos parecendo infinito.
Não nos é possível mensurar a tristeza, ou medir a intensidade da alegria, mas por vezes, só de nos colocarmos no lugar do outro, temos a sensação de que não resistiríamos a tamanhas provações. A tristeza é tão contagiosa quanto a alegria é contagiante.
A pessoa que me diverte todas as tardes, hoje, não sorria. Ao ver a profunda aflição que dominou seus olhos, senti na minha alma a dor da sua.
Diante de nossa impotência, só me resta torcer pra que a melancolia acabe logo e que voltemos a desfrutar dos nossas boas horinhas, até que isso também acabe. Como já dizia um dos meus poetas preferidos: “Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.” E que as alegrias durem mais!
"Irmã, é tudo com nóis!"

Neste momento: Paris

Nasci no Brasil, meu sobrenome é italiano, tenho passaporte português, moro na Inglaterra e estou pela primeira vez na França. Hoje...