27.3.12

Ele

Há quem diga que sentiria sono; há quem diga que não pagaria tão alta quantia; há até quem pergunte: "qual é o Ai Se Eu Te Pego dele?"
Felizmente, todos que fizeram com que os ingressos ( para mais de 20 sessões, em uma casa grande) se esgotasse em algumas horas,mais os que ficaram de fora, muito entristecidos com isso, pensam assim como eu. E isso me conforta. 
Assistir à um espetáculo sentada, sem grandes acontecimentos visuais no palco: sem dança, pirotecnia, nem nada do tipo, pode parecer muito chato. 
Mas, para nós: pessoas sensíveis, que apreciam arte, literatura e uma boa poesia é um deleite. Ao ouvir o anuncio de quem adentraria ao palco, a emoção da plateia era quase palpável. E Ele (sim, os gênios são Deuses) vestido de preto, simples, caminhando calmamente, senta-se e diz apenas "Boa noite! Obrigado, obrigado São Paulo." Foi difícil conter a emoção. 
Nem a repentina falta de energia elétrica foi capaz de apagar o brilho daquele Homem. As letras, os arranjos, a banda, o repertório, a luz, Ele: perfeitos. 
Olhar pra Ele com ar tímido, cantando e tocando foi uma emoção única. Estar perto de um homem tão talentoso e sensível, muitíssimo respeitado e admirado por isso, em muitos outros países. Com mais de 50 anos de carreira;  que entende como pouquíssimos o universo feminino e descreve com exatidão sentimentos e sensações unicamente nossas; é impossível não se apaixonar. 
Espero, verdadeiramente, ter a oportunidade de chegar perto dele de novo, em no máximo em 5 anos. De casa cheia, ao lado das melhores companhias e ouvi-lo, segurando mãos silenciosas, mas cheias de emoção. 
Aqui fica registrada em palavras meu singelo sentimento à respeito d'Ele que descreve perfeitamente as aflições e emoções femininas. Simplesmente, Chico. 

21.2.12

Por falar em Deus...


Desenho de Gil Vicente - 29ª Bienal de Arte, SP


Está aí um assunto divinamente particular. Alguns religiosos gritam aos quatro cantos que temem a Deus, obedecem “seus” mandamentos e seguem “suas” tradições. Não pecam, pagam para se casar, batizam seus filhos, são contra o aborto e acreditam que serão escolhidos/arrebatados para o paraíso, ou coisa que o valha. Em outras vertentes aprontam horrores e depois se convertem, aí pronto, está tudo perdoado.
Hipocrisia é a palavra de ordem da nossa sociedade. Os valores são equivocados. Enquanto garotos agredirem outros gratuitamente na rua e suas mães colocarem a cara na televisão e dizerem: “São apenas crianças...” - como se fosse normal registrar Boletim de Ocorrência contra o próprio filho – vamos viver nesse mundo maluco, cheio de pessoas violentas e viciáveis. O que dizer dos padres pedófilos? De pais que abusam de filhos? É surreal.
Acredito que seja possível acreditar em uma força superior, que faz o mundo girar, sem precisar cumprir rituais escritos há sei lá quantos anos, e editado sei lá quantas vezes. Se procurarmos viver em paz - sem cuidar da vida dos outros, cultivando o respeito e a tolerância com uma generosa dose de boa educação e bom senso – conseguiremos passar por esse mundo sem precisar que alguém nos diga o que podemos ou devemos fazer e o que não.
Deus ou seja lá o que for não precisa de instituição nem canais de comunicação indireta. Respeito é bom e todo mundo gosta.

Exercício



Fernando Pessoa
(Poesias de Álvaro de Campos/1935)

Todas as cartas de amor...


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Neste momento: Paris

Nasci no Brasil, meu sobrenome é italiano, tenho passaporte português, moro na Inglaterra e estou pela primeira vez na França. Hoje...