27.9.09

Angústia

Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!

E não se quer pensar!...e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós...
Querer apagar no céu - ó sonho atroz! -
O brilho duma estrela, com o vento!...

E não se apaga, não...nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga...
Vem sempre perguntando: "O que te resta?..."

Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!


Florbela Espanca

17.9.09

Soneto de fidelidade

Ophélia

Paisagem

Cada minuto é apenas um momento musical,
sem memória.. E a saudade não vem de
longe, é como uma cor outonal na paisagem
e muda como um poente...Não há futuro.
Tudo é paisagem para os nossos olhos
calmos e líricos.
Sentimos a intimidade das coisas
impossíveis.
Cristovam Pavia

Ausência de sentidos

O destino nos prega muitas peças. Um ano que ainda nem acabou transformou a minha vida completamente. Tudo é novidade. Alguns pensamentos e esperanças ficaram pelo caminho. Estou em vários lugares, em várias épocas e tenho a impressão de que não estou em lugar algum. Estou à margem do mundo, sem visão, gosto, prazer, fome, sede, sentimentos, sensações, sem luz no fim do túnel. Não me enxergo, não me sinto. Não sinto a presença de ninguém e é como se ninguém sentisse a minha. Sou um corpo estranho. Acordei e minha alma se esqueceu de me acompanhar. O que será isso? Ninguém me vê. Hoje, meu nome é angústia. Angústia de verdade. Aquela que embrulha o estômago, deixa a visão turva e dá um nó na garganta. A qualquer momento... desabo. Sinto-me perdida, não tenho a mais remota ideia do que fazer, nem pra onde ir. Parafraseando um grande poeta: “Eu sinto como se eu seguisse os meus sapatos por aí...” Tenho uma sensação profunda de que algo importante vai acontecer e me parece bem natural, embora eu nem imagine o que seja. Que dia estranho, literalmente sem sentido ou sentidos.

7.9.09

Bauman

“Nosso PNB (Produto Nacional Bruto) considera em seus cálculos a poluição do ar, a publicidade do fumo e as ambulâncias que rodam para coletar os feridos em nossas rodovias. Ele registra os custos dos sistemas de segurança que instalamos para proteger nossos lares e as prisões em que trancafiamos os que conseguem burlá-los. Ele leva em conta a destruição de nossas florestas de sequóias e sua substituição por uma urbanização descontrolada e caótica. Ele inclui a produção de napalm, armar nucleares e dos veículos armados usados pela polícia para reprimir a desordem urbana. Ele registra... programas de televisão que glorificam a violência para vender brinquedos a crianças. Por outro lado, o PNB não observa a saúde de nossos filhos, a qualidade de nossa educação ou a alegria de nossos jogos. Não mede a beleza de nossa poesia e a solidez de nossos matrimônios. Não se preocupa em avaliar a qualidade de nossos debates políticos e a integridade de nossos representantes. Não considera nossa coragem, sabedoria e cultura. Nada diz sobre nossa compaixão e dedicação a nosso país. Em resumo, o PNB mede tudo, menos o que faz a vida valer a pena.”

Robert Kennedy

Kennedy foi morto poucas semanas depois de publicar essa inflamada acusação e declarar sua intenção de restaurar a importância das coisas que fazem a vida valer a pena – de modo que jamais saberemos se ele teria tentado transformar suas palavras em realidade caso fosse eleito presidente dos Estados Unidos, muito menos se teria obtido sucesso nisso. O que sabemos, porém, é que quase 40anos depois que desde então se passaram houve poucos sinais, se é que houve algum, de que sua mensagem teria sido ouvida, aceita e lembrada.

Zygmunt Bauman

Frase

2.9.09

Nada


A poesia abaixo de nome Nada não tem assinatura, mas foi escrita por um amigo secreto, por enquanto anônimo. Nem pedi permissão para publicar, mas acho que não terá problema. Na próxima vez acredito que poderei dar o crédito. Esta especialmente eu achei perfeita.

Ele tinha uma vida não vivida
sem memórias pra contar no dia-a-dia
com vazios que o tempo não preenche
com sentidos e razões inexistentes

A única lembrança que a ele retornava
era a falta de lembranças mais exatas
Uma vida sem nenhum fato relevante
um caminho que se faz desinteressante

Em sua falta de vivência
bate ao peito uma carência
Uma dor aperta em seu coração
mas não sabe qual motivo ou razão

A razão decerto ele conhece
mas não ousa dizer o que compete
pois a única lembrança que ele tem
é a dor de se não lembrar de ninguém

Amigo

Aquecimento

Como entender uma obra de arte? Será que é possível saber o que o artista estava pensando ou sentindo quando a produziu? A maior parte das pessoas não aprecia fotografia, pintura, gravura, escultura e até alguns estilos musicais por não achar interessante, justamente por não entender o significado. Mas o que há para entender em uma arte como essa, por exemplo?
Algumas obras causam impacto outras, nenhum. Mas o “entendimento” é pessoal, subjetivo, cada pessoa que parar em frente a uma obra de arte terá uma sensação diferente, ou não sentirão absolutamente nada. Isso porque a reação depende da bagagem cultural e das experiências individuais e coletivas vividas por cada um.
Agora, estudando a história da arte, este tema será abordado algumas vezes por aqui. Então quem gosta se prepare.
Entre tantos gêneros e estilos de arte existe uma forma diferente de se fazer arte, vamos conhecer um pouco da Op Art. Pelo nome, muita gente não tem ideia do que seja, mas é bem mais conhecido do que se imagina. A Optical Art, expressão inglesa que designa um movimento ou tendência iniciada na Europa e logo propagada aos Estados Unidos no começo da década de 1960, é um movimento artístico, que tem por objetivo dar movimento às pinturas. Essa vertente representativa da arte opõe-se à harmonia estática da forma tradicional de arte contemporânea, visando atingir ou causar a impressão de que há movimento na tela, através de estímulos visuais, a famosa ilusão de ótica. Victor Vasarely, de origem Húngara, foi o pioneiro no aprimoramento desta forma de fazer arte. Outro grande nome da Op Art é M.C. Escher, criador das obras abaixo.

A op-art é criada através da combinação de figuras geométricas, alguma vesez coloridas. A maior parte das obras são produzidas em preto e branco. Essa combinação causa o efeito de movimento conforme muda-se o ângulo de visão e o contraste é perfeito para enganar nossos olhos e cérebro. Em breve mais...

Neste momento: Paris

Nasci no Brasil, meu sobrenome é italiano, tenho passaporte português, moro na Inglaterra e estou pela primeira vez na França. Hoje...