Como já foi citado outrora nesta página virtual existem livros que realmente não são possíveis de ler até o final. Não sou especialista em literatura, mas sou leitora assídua e admiradora de belas obras de arte.
A Cabana esteve em 1º lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times, e já vendeu mais de 12 milhões de exemplares. O que isso deveria significar? Que é um bom livro? Deveria ser. Mas com o perdão de quem gostou, essa não é uma obra que merecesse tal posto, nem de longe. Para quem não está acostumado a ler - ou nunca teve sequer um contato mínimo com os clássicos da literatura universal, ou mesmo nacional - pode até ser, talvez, atrativo.
O referido conta a estória de Mack Allen Phillips, um homem que teve sua filha de seis anos raptada durante um acampamento de fim de semana. A menina nunca foi encontrada, mas sinais de que ela teria sido assassinada são achados em uma cabana perdida nas montanhas. Quatro anos depois, Mack recebe um bilhete supostamente escrito por Deus, convidando-o para uma visita a essa mesma cabana.
Daí em diante só lendo para ter a dimensão do quanto o livro é absurdo. Desde a forma que William P. Young escolheu para relatar a ficção até o conteúdo forçosamente questionável e duvidoso.
Resisti bravamente a questão da escrita redundante e carregada de detalhes completamente desnecessários até certa página, mas depois de Deus se apresentar ao personagem como uma mulher negra e gorda que só fazia cozinhar; Jesus, carpinteiro, oriundo do Oriente Médio; e uma outra mulher asiática, ao que me parece, era o espírito santo. Aí foi demais pra mim.
Auto ajuda de cunho religioso, acompanhada de diálogos pobres, questionamentos respondidos de forma totalmente descabida, foi mais do que eu conseguiria suportar.
A trama inicial foi esquecida, a única coisa que importava era que o protagonista perdoasse e se livrasse da tristeza pelo ocorrido. Mas até que ponto é saudável perdoar o sujeito que lhe causou a maior dor que se poderia imaginar? É surreal compreender, justificar ou aceitar tal atrocidade.
Mensagens positivas são sempre bem vindas, mas que não tentem explicar o inexplicável de forma tão rasa e alienante.
O pior é que nas últimas linhas de tal esparrela encontra-se um apelo no estilo “corrente da internet”. Essa realmente foi uma das piores obras que passaram por minhas mãos. Mais um desperdício.
É tão bom voltar ao mundo real. Encerrada precocemente essa tentativa de leitura deparo-me com Milan Kundera. Ufa, que alívio! Esse sim renderá boas linhas neste espaço.