6.10.16

O que é família?


Diferente de parente, família é quem te conhece desde sempre e não duvida do seu caráter. Mais ou menos simpático, com sorrisos ou não, quem é sua família sabe compreender ou pelo menos respeitar seus momentos complicados. Não julga, chantageia, despreza, compete, nem deseja o mal. Família é união. É um pelo outro mesmo com um oceano de distância.  Sem pensamentos mesquinhos, mal-entendidos eternos e, principalmente, sem duvidar da sua índole.
Quem me viu nascer, deveria saber que tipo de pessoa eu sou e não começar, do nada, a me medir com outras réguas.
Mesmo que não se beije e abrace com frequência, o senso de família está no olhar, no ouvir, no cuidado e zelo. Pode haver desentendimentos e até afastamentos involuntários, ou até voluntários. Mas o amor é sentido pelos poros e nem precisa ser dito em palavras ou textos longos nas redes sociais. Não é preciso ter o mesmo sangue para sentir o amor de família.
E isso não interessa para mais ninguém, o que sentimos é nosso, e não deve ser compartilhado levianamente. Somente demostrado a quem é de direito, com gestos, atitudes, boas energias, apoio e com o olhar.
Parente é aquele que compartilha de sua árvore genealógica direta ou indiretamente, mas que não faz diferença nenhuma ter ou não por perto.

Por isso, o melhor que temos a fazer é valorizar quem realmente importa e carregar sempre o sentimento de gratidão por fazer parte de uma família de verdade.

3.10.16

Sinto sua falta!


Sozinha, em meio às suas leituras, à noite, chovendo. Caído no chão da sala um bilhete, escrito por um antigo amor, posto em um livro, mais antigo ainda.
Ele sozinho na rua ao lado, escreve. Ela acompanhada dos mais saborosos sonhos de recomeçar a vida em uma terra distante, lê. Como uma despedida.
Em breve, haverá novos olhares, novos cheiros, mensagens, sorrisos, peles, paisagens, encontros, ares, ventos, voos.
Sedenta por novidades, ela parte. Confiante, leve e com o espírito mais livre e desimpedido do que nunca.
O maior amor da vida, vai junto e permanecerá dentro dela até o último suspiro. O próprio.
As histórias, experiências, emoções, memórias, vida, a acompanham por onde for. E o que sobra, é nada e, é tudo. Fica para trás. O que foi vivido, já foi. E permanecerá no mesmo espaço e tempo, congelado, como uma fotografia.
A mudança é plena e deliciosa. A vida reserva muitas surpresas e a melhor delas é a falta de controle. Acompanhada de mudanças, de ideia, paradigmas, certeza, de amor, de vida. Vida essa que nos conduz por caminhos inimagináveis.
Depois de tudo, sim, sinto sua falta, a nossa falta. Sinto minha falta. De certos fragmentos de vida. De vários flashes. Fotografias. Beijos. Músicas. Mãos. Antebraços e abraços. Cada pedaço que ela deixou em cada um dos pares, que um dia os foram, permanecem. E ela leva consigo todos os aprendizados absorvidos. E as pessoas que partilharam algum tipo de sentimento e boas experiências, vão junto. Já o que foi ruim, fica em seus devidos compartimentos, porque memória é um dom. A paciência, uma virtude. A liberdade, privilégio.
O amor... ah o amor. Esse está dentro de cada um e é infinito, posto que é chama, como já dizia o talentoso poeta.

Neste momento: Paris

Nasci no Brasil, meu sobrenome é italiano, tenho passaporte português, moro na Inglaterra e estou pela primeira vez na França. Hoje...