Sozinha, em meio às suas leituras, à noite, chovendo. Caído
no chão da sala um bilhete, escrito por um antigo amor, posto em um livro, mais
antigo ainda.
Ele sozinho na rua ao lado, escreve. Ela acompanhada dos
mais saborosos sonhos de recomeçar a vida em uma terra distante, lê. Como uma despedida.
Em breve, haverá novos olhares, novos cheiros, mensagens,
sorrisos, peles, paisagens, encontros, ares, ventos, voos.
Sedenta por novidades, ela parte. Confiante, leve e com o
espírito mais livre e desimpedido do que nunca.
O maior amor da vida, vai junto e permanecerá dentro dela
até o último suspiro. O próprio.
As histórias, experiências, emoções, memórias, vida, a
acompanham por onde for. E o que sobra, é nada e, é tudo. Fica para trás. O que
foi vivido, já foi. E permanecerá no mesmo espaço e tempo, congelado, como uma
fotografia.
A mudança é plena e deliciosa. A vida reserva muitas
surpresas e a melhor delas é a falta de controle. Acompanhada de mudanças, de
ideia, paradigmas, certeza, de amor, de vida. Vida essa que nos conduz por
caminhos inimagináveis.
Depois de tudo, sim, sinto sua falta, a nossa falta. Sinto
minha falta. De certos fragmentos de vida. De vários flashes. Fotografias.
Beijos. Músicas. Mãos. Antebraços e abraços. Cada pedaço que ela deixou em cada um dos
pares, que um dia os foram, permanecem. E ela leva consigo todos os
aprendizados absorvidos. E as pessoas que partilharam algum tipo de sentimento e
boas experiências, vão junto. Já o que foi ruim, fica em seus devidos compartimentos,
porque memória é um dom. A paciência, uma virtude. A liberdade, privilégio.
O amor... ah o amor. Esse está dentro de cada um e é infinito, posto que é chama, como já dizia o talentoso poeta.

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