11.11.09

O velho e bom rádio, mais uma vez brilhou na escuridão


Dentre os milhares de textos sobre o temido apagão, este foi escrito de uma ótica especial, apaixonada. Essas linhas foram escritas pelo jornalista e radialista José Nello Marques, atualmente comunicador da Rádio Record.
Uma grande parte do Brasil ficou novamente no escuro na noite de terça e madrugada desta quarta feira. Quando caiu a energia elétrica, a primeira idéia era de um transformador queimado na rua. Uma olhada geral e a coisa passou a ser no bairro, quem sabe uma sub-estação. Mas passando os minutos na escuridão, veio a certeza: era um apagão geral, ou, para ser elegante, um “blackout”.
Os vizinhos saíram na porta das casas se indagando o que teria acontecido. Nos apartamentos, televisão analógica ou digital desligada, internet banda larga ou curta pifada e celulares 3G, 4D ou 5S sem linha no mundo moderno e tecnológico. O que teria acontecido?, perguntavam todos.
Como é que a gente vai saber? Foi aí que alguém se lembrou dele:
Simples: pega aquele aparelhinho que foi inventado há quase 100 anos, que não precisa de tomada, apenas de uma ou duas pilhas e pronto, vamos novamente nos conectar ao planeta.
Simples: o velho e bom radinho de pilhas amainou a ansiedade de milhares de pessoas que estavam no escuro de luz e informação. E o velho e bom rádio novamente cumpriu o seu papel. Quem não achou, correu para o carro na garagem e ligou o dito cujo.
Informações sobre bairros e cidades às escuras, autoridades pedindo cuidado no transito sem semáforos e nos locais mais isolados por causa da bandidagem, repórteres buscando informações sobre as causas do apagão e quando a energia seria restabelecida, CET dizendo que tinha mandado de volta às ruas seu contingente e tantas outras notícias e palavras que revelavam informações e a certeza de que alguém estava do outro lado.
O velho e bom rádio cumpriu novamente o seu papel de informar, prestar serviço e acalmar a população. Mais uma demonstração que prova a eficiência do veículo de comunicação mais barato e ágil em todo o globo terrestre de cabos, laser, fibras óticas e todas as engenhocas criadas recentemente.
Perdoando o despreparo de jovens que nunca tinha participado de uma cobertura de fôlego como essa, tirando as perguntas que mais pareciam teses, tirando as linhas telefônicas que caíam e alguns erros gramaticais, o rádio foi perfeito.
As cores digitais são muito bonitas, espetaculares. Mas não se esqueça do seu companheiro de todas as horas, de todos os lugares. O velho e bom rádio, que você enxerga até no escuro.

José Nello Marques

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Nasci no Brasil, meu sobrenome é italiano, tenho passaporte português, moro na Inglaterra e estou pela primeira vez na França. Hoje...