Algumas vezes estamos egoistamente preocupados com nossos próprios umbigos e esquecemos que algumas atitudes - ou a falta delas - afetam outras pessoas.
Por nos esquecermos que não devemos despejar palavras aleatoriamente aos ouvidos de outrem, magoamos de forma gratuita quem dizemos querer bem. Pior, talvez, que a falta de comunicação é o excesso de palavras que são apenas palavras. Soltas e levianas.
Em sua obra intitulada A Brincadeira, Milan Kundera conta a história de Ludvik, um homem de meia idade que passa um final de semana na cidade onde nasceu e passou sua infância. Suas lembranças e de outros personagens se entrecruzam e mostram a dificuldade da comunicação humana.
Kundera recebeu em 1968 o prêmio anual da União de Escritores Tchecos pela obra intitulada A Brincadeira, publicada em Praga na Primavera de 1967. O romance vendeu mais de 120 mil cópias, esgotando três edições sucessivas. Porém, dois meses depois de seu lançamento no Ocidente o livro ganhou uma conotação política muito mais forte do que a pretendida pelo autor, fazendo com que a obra fosse tirada de circulação por algum tempo.
Trechos interessantes:
“Nem antes nem depois desse episódio li versos para quem quer que fosse; possuo um pequeno sistema que funciona bem, um fusível de pudor, que impede que eu me desnude demais diante das pessoas, revelando meus sentimentos; ora, ler versos, para mim, não é apenas como se eu falasse de meus sentimentos, mas como se ao fazê-lo, ficasse equilibrado num pé só; como se alguma coisa de compassado, no próprio princípio do ritmo e da rima, me embaraçasse tanto que para fazê-lo precisasse estar só. Mas Lucie possuía um poder mágico (que depois dela nunca mais ninguém teve) de fazer funcionar o fusível e desfazer meus escrúpulos. Diante dela, eu podia me permitir tudo: mesmo a sinceridade, o sentimento, o patético”.
(...) “Caminhei sobre os paralelepípedos poeirentos e senti a pesada leveza do vazio que pesava sobre minha vida: Lucie, a deusa das brumas que outrora se recusara a ser minha, ontem tinha transformado em nada minha vingança cuidadosamente premeditada e logo depois mudou até a lembrança de si mesma numa espécie de zombaria aflitiva ou de impostura grotesca, já que as revelações de Kostka comprovavam que durante todos esse anos eu me recordara de uma outra mulher, que na realidade eu nunca soubera quem era Lucie”.
(A Brincadeira, Milan Kundera)

tive um blog com essa mesma frase do nosso antropofago-mor.frase q permanece moderna até hj.
ResponderExcluirabraços
fellini ?